Macau com jurisdição oficial no campus da Ilha Montanha


O novo ‘campus’ da Universidade de Macau na Ilha da Montanha passou a estar sob a jurisdição de Macau.
O anúncio foi feito, em comunicado, pelo gabinete do porta-voz do Governo, o qual cita o despacho do Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, que fixa o dia 20 de Julho de 2013 como data da inauguração do novo ‘campus’ da Universidade de Macau (UM) na Ilha da Montanha (Hengqin), publicado em Boletim Oficial.
Esta espécie de ‘pequena transferência de exercício de soberania’ ocorre ao abrigo da Decisão do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional da China, segundo a qual a delegação de poderes na Região Administrativa Especial de Macau para o exercício da jurisdição no ‘campus’ da UM na Ilha da Montanha, tomada em Junho de 2009, é efectiva a partir do dia da inauguração, agora fixada.
Não obstante o “momento histórico”, o novo ‘campus’ da UM na Ilha da Montanha, cuja primeira pedra foi lançada, a 20 de Dezembro de 2009, numa cerimónia em que participou o então Presidente chinês Hu Jintao, não estará, para já, aberto ao público devido a trabalhos de inspecção, acabamento e de mudança, lê-se na mesma nota oficial.
Com uma área global de 1,09 quilómetros quadrados – arrendada a Macau por Zhuhai durante um período de 40 anos por pouco mais de mil milhões de patacas – e uma área bruta de construção de cerca de 940 mil metros quadrados, o novo ‘campus’ da UM na Ilha da Montanha, 20 vezes maior do que o actual, inclui instalações de serviços de água, electricidade, combustíveis, telecomunicações, serviços alfandegários, corpo de polícia, infra-estruturas sociais, entre outros.
Neste sentido, ao estar sob jurisdição de Macau, o ‘campus’ da UM, apesar de ‘fisicamente’ do outro lado da fronteira, estará, por exemplo, livre de qualquer restrição no acesso a determinadas páginas na Internet.
O novo ‘campus’ da Universidade de Macau “não é apenas uma obra de um ‘campus’ universitário”, pois “possui um importante sentido estratégico, na implementação de uma cooperação estreita entre Guangdong e Macau sob o princípio de “um País, dois sistemas”, refere o comunicado.
A UM irá começar os trabalhos preparativos de mudança, incluindo a instalação e testes das redes telefónica, informática e de ‘wi-fi’ e dos equipamentos para 350 salas de aulas e mais de 400 apartamentos das unidades residenciais de estudantes, a qual envolve a deslocação de mais de cem mil peças de mobiliário.
Durante o período das férias de verão, prevê-se que cerca de 2.000 alunos e professores entrem, de forma gradual, no novo ‘campus’. Algumas actividades relativas à abertura do próximo ano lectivo, em Setembro, também terão lugar nas novas instalações.
Neste período de transferência e preparação, vão ser instalados postos de controlo à entrada e saída do túnel subaquático, que dá acesso ao ‘campus’, para controlar os fluxos de pessoas e de veículos, a fim de garantir o desenvolvimento dos trabalhos, explica ainda o gabinete do porta-voz.
O investimento, também a cargo do Governo de Macau, foi inicialmente calculado entre 5 e 6 mil milhões de patacas, mas as contas acabaram por derrapar fortemente, de acordo com um relatório deste ano elaborado pelo Comissariado da Auditoria. A mais recente actualização do orçamento aponta para uma despesa na ordem das 9,8 mil milhões de patacas, ou seja, quase o dobro face às estimativas iniciais.

Bessa Almeida

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